no último banco de um vagão

estava ali, sentado no último banco de um vagão que me levava para um destino do qual eu desconhecia completamente. não comprei o bilhete de embarque, mas havia embarcado, sabe-se lá deus como, haviam muitas pessoas, completos desconhecidos a circular pelo trem, e eu ali a observar a tudo e a todos. ninguém sabia quem eu era, muito menos me viam, era uma existência vaga, sem rumo, sem prumo, um corpo ao léu.
havia vida naquele lugar, muita vida, eu podia vê-la, quase que tocá-la, mas não podia participar, pois a vida que havia ali não existia em mim, aliás não havia nenhuma vida naquele banco, era exatamente como um vulto, um fantasma que estava ali vagando.
sentia uma sensação abstrata, pois além da vida havia música, movimento e nada daquilo me pertencia. porém ocorria algo novo, como se por um momento o pulsar parecia encontrar o caminho novamente, se é que alguma vez ele soube por onde caminhar, mas ainda era tudo muito confuso, muito alheio e eu permanecia ali sentado, a observar todos àqueles seres, como se eles fossem eu ou eu fosse eles, não sei exatamente ao certo distinguir o que era, mas era estranhamente belo todo aquele movimento que brotava naquele trem rumo ao desconhecido…

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Sobre janatineo

aprendendo e descobrindo (sempre) a ser...
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