era uma noite quente de verão, caótica em que tudo dá errado e então ele tropeçou naquele olhar se deixou encantar, sorriu e riram juntos. não titubeou e se entregou. e ele só entrou na brincadeira e se jogou, como quem se joga à beira do precipício quando já não tem mais para onde correr.
correu noite adentro, se envolveu naquele corpo que não era seu. e deslizou por todos os recantos daquela pele, em busca de prazer mútuo e como as águas que correm por entre as pedras para alcançar o mar desaguou em êxtase antes do amanhecer e adormeceu em um sono profundo.

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regressus ad infinitum

ele já não era mais um vulto de si mesmo e continuava a seguir viagem naquele vagão, mesmo não sabendo para aonde aquele trem seguia, mas ele não estava preocupado com isso, pelo menos não naquele momento.
sentado ali, olhando a paisagem, através da janela, via também seu reflexo e notava que conforme ia havendo uma mudança na paisagem lá fora, notava que sua paisagem interior também havia se transformado ao longo do percurso.
àquela viagem o estava levando para lugares antes nunca visitado por ele. por vezes cruzava terras inóspitas, de paisagens duras, mas nem por isso deixavam de ser belas.
noutras vezes chegava a outros lugares cujas paisagens eram de uma simplicidade e de uma beleza tão profunda que o remetia a uma sensação de retorno, como se já estivesse estado ali antes, em outros tempos.
mas ele não se apegava a nada daquilo, pois era tudo efêmero, o trem ia em velocidade rápida, deixando tudo para trás e o que lhe restava eram só lembranças vagas, como imagens de um filme antigo…
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ad infinitum

ele despertou novamente, depois de alguns dias sem que a vida ali se manifestasse, uma melodia e o estopim de tantos sentimentos [de]compostos, [des]compassados e [des]ritmados. a leitura de uma carta quase tão antiga quanto tudo aquilo que [re]vivia, e que nunca foi enviada ao remetente indicado. então, ele percebeu que o endereçado daquela mensagem era na real o próprio remetente, porque ali estavam palavras a espera de sua leitura para que o re[des]encontro enfim acontecesse com aquele que em algum dia havia imaginado e determinado ser e teve a certeza que já não era mais nada daquilo também… sorriu entre lágrimas que lhe banhavam a face e se encarou sem pudor, e assim foi despertando, deixando aflorar a vida que pulsava por mais espaço, dessa forma sem receio de ser sugado por toda aquela força brutal e sutil. se findava assim os últimos suspiros de seus últimos dias, era mais uma de suas mortes que se aproximava, lhe abraçava e escorria pelo ralo do banheiro.
e já lhe fora dito que essa época era de uma lenta e dolorosa morte, mas tendo a certeza em si que ao findar daqueles dias a ferida aberta seria sangrada até se esvair toda a [desis]exis[tência]inexata e que ao ser sugado por aqueles tempos sombrios, caóticos e incertos tinha a certeza que tudo aquilo já fazia parte de um filme antigo e desfocado.
cobria-se assim com a toalha para encontrar seu próximo afago, para descobrir seu bem querer e entregar-se em plenitude a um novo nascimento.

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naked

há que se ter cuidado, pois aqui não existe fraqueza ou fragilidade. aqui há força e coragem, mesmo que entre escombros e recantos obscuros a docilidade que ali habita haverá de se converter em fúria e raiva, em questão de segundos, basta que com isso sejam impulsionados os sentimentos guardados no canto sombrio dessa alma.
as dores tem me visitado com frequência, quase que quotidianamente. mas ao invés de tratá-las com dureza e aspereza, enfim entendi, depois de uma longa jornada por noites escuras, que o melhor é acolhê-las e que mesmo em fúria, mesmo com a navalha cortando me a carne do espírito com lembranças tão profanas, tão insanas e que mesmo sangrando a alma ainda encontro forças para sorrir, buscar a leveza das brisas nos vendavais que abarcam minha mente e me remetem a tempos e a lugares que preferia já não ter habitado.
mas percebo também que depois de tanto tempo, todo esse ódio, essa raiva e explosões intempestivas fazem-me ser quem sou, pois como disse algum sábio: “não pode haver luz se não houver escuridão, não pode haver amor se não houver ódio e tão pouco pode haver paz se não houver a guerra”. então, em meio ao caos e as dores venho me reencontrando não em uma, mas em muitas de mim mesma e já não me envergonho mais disso.

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starway: caminhei
touch you: desejei
for living: por tanto tempo
voices: devaniei
have so much: amor

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infinito particular

de um instante súbito o calor reconfortante da sua presença se expandiu na doçura de um olhar, na entrega de um abraço e então ele enfim entendeu que ali habitava o mais belo de todos os sentimentos que carregava consigo e se deu conta que mesmo a via parecendo ser de mão única isto era e é somente dele. então já não se perturbava mais com a insegurança de seus medos e caminhou em direção a ela sabendo que no fundo estava indo em direção a si mesmo e ao seu amor. e aquilo lhe deu tamanha felicidade, lhe preencheu o dia e fincou raízes na terra que se fez fria, dura e inabitável por tanto tempo. sabia que isto jamais poderá ser expresso em palavras a ninguém e a única certeza que tem nesse instante é a sua gratidão por tudo que tinha sido até então, por todas as dores que havia carregado, por todas as amarguras e ausências. pois todas essas não possibilidades lhe permitiram olhar para as novas e presentes possibilidades que se apresentavam a ele neste novo despertar e que por mais desconhecido que seja esse novo ele, segue assim seu caminhar de mãos dadas consigo mesmo, sabendo que já não é mais o mesmo a cada instante e a cada novo dia se expande por dimensões desconhecidas do seu infinito particular…

http://www.youtube.com/watch?v=Ly0JBUwL-5w

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bilhetes de felicidade

ela encontrou bilhetes antigos que lhe alegraram o coração e a alma, lembrou-se de uma felicidade simples, cheia de amor e amizade, de cafés e desenhos, conversas orgânicas e andanças sem rumo, veio lhe novamente o tempo em que a cidade e os sentimentos eram um só, os sorrisos eram frouxos, o prazer era intenso, o toque era profundo, profano e sagrado, e o divino se enraizou naquele instante distante presente…

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